Ioga Lirio Forster

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Rio de Janeiro, Barra de Guaratiba, Brazil
Sou artista plastico pretendo utilizar este blog para divulgar meu trabalho e envolver pessoas que gostam de apreciar pintura e desenhos e divulgar algumas ideias frases, textos poesias pensamentos meus e de outros pensadores...meus contatos celular 88920080 24100562

terça-feira, 20 de outubro de 2009

IRMAO REALIDADE AQUI ESTOU EU EM VOCÊ


ATENCÃO GERAL, GERAL, GERAL
PROVA DÁ VER_DÁ_DÊ
Quando for falar algo pra testar o seu irmao cuidado porque o teste pode ser pra vc mesmo aquele que esta na + perfeita comunhão com DEUS sempre quando recebe um teste da vida cotidiana ele resolve o teste tentando vibrar na força que cria tudo entao precisamos pensar bem em o que estamos fazendo o que estamos querendo queremos que deus viva em nossas vidas qual é há melhor forma? Aonde esta essa chave de harmonia ? Dentro de todos sei que existe um momento que nao vai ser mais momento, so no proximo momento aconteçe na velocidade da luz ou até mais rapido. E sua memoria mental de tudo que aconteçe tambem tem haver palavras eu escrevo estas mais tambem quero aprender isso porque ainda tenho algumas falhas mais se todos nos somos um fica mais facil de abrir com a brilhante chave de harmonia vale a pena prestar atenção nestas palavras é o cantar do passarinho o abc ou ate defghijlmopqrstuvxz todas as letras do alfabeto se transformando na borboleta quando sai do casulo depois de ser lagarta estou aqui neste mundo somente para encantar agora declaro e tenho certeza que sou um ser encantado das matas aonde o TRANCA RUA é Jesus e o tranca rua ILUMINADO nao é mais chamado pelo mesmo nome passa a ser ABRE RUA nao sei se todos vão compreender tudo isso que foi escrito Jesus confio em vos eternamente em minha mente que é minha alma que é eterna que esta em tudo até em VOCÊ que esta lendo neste agora que é eterno mais eu sou Ioga o seu amigo que é igual a você nao sou melhor que ninguem no mundo quero aprender com todos que são grandes provas pra agente alcançar graus de iluminação e ir construindo uma escada que fica cada ves mais perto de deus estando bem vivo aqui onde nos tocou estar nesta existençia maravilhosa que é ha vida que eu sei que nada sabia algo sabia do que eu ainda nao tinha aprendido vou voando até encontrar AMOR...


MEU QUERIDO PAI ETERNO MUITO OBRIGADO PELAS PALAVRAS


TEXTO : IOGA LIRIO FORSTER

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

eu pensava que a verdade era deus mais a unica verdade é DEUS


Seja você mesmo, sem máscaras, simples e criativo, sempre melhorando e aprendendo...Cumpra sua jornada, com dignidade, simpatia e alegria. Faça o bem, sem olhar a quem. Só Deus é que sabe o tempo certo de cada coisa. Só Ele é que conhece o valor real de cada Ser. Agradeça a Ele, por tudo! Ele é o Poder, a Glória e a Sabedoria. O seu tempo de vida é d'Ele. Então, entregue os frutos de seu trabalho a Ele. Ele, o seu Grande Amor, que conhece o seu coração. Ele, o Senhor de todos os presentes". No centro da luz, eu vi a pequena jóia se derreter no centro do alto de minha cabeça, e se fundir em mim. E, agora, um pedacinho do Céu está comigo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009


No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta E, no planeta, um jardim ,e , no jardim, um canteiro; no canteiro uma violeta e, sobre ela, o dia inteiro , entre o planeta e o sem-fim a asa de uma borboleta".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Historia da doutrina do Santo daime


Contaremos aqui um pouco da história do Mestre desta Doutrina, narrada por alguns companheiros de sua época que vez por outra nos deixaram alguns relatos da vida deste santo homem.
Na noite de 15 de dezembro de 1892, nasceu em Vicente Ferrer, Maranhão, Raimundo Irineu Serra, fundador da Doutrina do Santo Daime, da qual temos a honra e o privilégio de fazer parte. Mestre Irineu, filho do Sr. Sancho Martinho Serra e Dona Joana Assunção Serra, era descendente de escravos, homem forte, media 1,98 metros e calçava 48.
Deixou sua terra natal aos 15 anos de idade, passando por muitos lugares até chegar ao Acre, isso por volta de 1912. Trabalhou como seringueiro nas regiões do Xapurí, Brasiléia e Sena Madureira.
Também trabalhou como funcionário na Comissão de Limites na delimitação da fronteira do Acre com a Bolívia e o Peru. E foi nesta época que conheceu a ayahuasca, bebida ingerida em rituais indígenas deixada pelos incas e usada por grande parte da população cabocla da região Amazônica.
Foi na cidade de Cobija, na Bolívia, que conheceu os irmãos Antônio Costa e André Costa que, por coincidência, eram seus conterrâneos. Estes lhe falaram pela primeira vez da bebida, que a haviam conhecido por intermédio de um caboclo peruano de nome D. Crescêncio Pisango, também conhecido por Huascar.
Huascar era um antigo rei inca que passava seus conhecimentos para Pisango. Convidaram então o Mestre para participar de um ritual com ayahuasca.
De primeiro o Mestre não aceitou, mas depois pensou e disse: "Eu vou. Se for uma coisa boa vou levar pro meu Brasil, pois de coisa ruim o meu Brasil já está cheio". Da primeira e segunda vez que tomou a bebida nada sentiu, só na terceira é que chegaram as "mirações". Estava sentado numa roda de 12 pessoas quando D. Pisango se aproximou e "entrou" na cuia grande onde era servida a ayahuasca, sendo percebido apenas pelo Mestre. O caboclo pediu que ele convidasse o grupo a olhar dentro da cuia e quedissessem o que estavam vendo. Responderam que viam apenas a bebida. Então o caboclo Pisango explicou ao Mestre Irineu que só ele tinha condições de trabalhar com aquela bebida e que ninguém mais conseguia ver o que ele via com a ayahuasca.
Numa outra noite voltaram a tomar a infusão. Desta vez só os dois, Antônio, que estava no quarto, e o Mestre na sala da casa onde realizavam a sessão. Foi quando Antônio chamou pelo Mestre, que olhava encantado para a lua, e disse:
- Raimundo, aqui tem uma senhora chamada Clara que quer falar com você.
- Por que ela não fala contigo mesmo?
- Não sei não, mas diz ter te acompanhado desde o Maranhão. Ela tem uma laranja na cabeça para lhe entregar. Fala que vai te procurar na próxima sessão.
E assim foi. O Mestre numa ansiedade danada aguardava por aquele dia. Era uma quarta-feira duma noite linda de luar. O Mestre se deitou na rede de modo a apreciar a lua e, pouco a pouco, a "força" da ayahuasca foi chegando, intensificando as mirações e, neste momento, é que viu a lua se aproximando pra bem pertinho dele.*( Esta miração, mais tarde veio inspirá-lo a receber do, astral seu primeiro hino, "Lua Branca"). A Senhora sentada ao centro da lua com uma águia na cabeça em ponto de voar lhe disse:
- Quem tu achas que sou?
- Pra mim é uma Deusa.
- Tu tens coragem de me chamar de Satanás?
- Ave Maria, minha Senhora, de jeito nenhum.
- Você está pensando que sou uma princesa, mas não, eu sou a Rainha Universal.
- Tu achas que o que tu estás vendo agora alguém já viu?
- Acho que sim minha senhora (o Mestre julgava que outros tantos que já haviam bebido a ayahuasca também já podiam ter tido aquela visão).
- Tu estás enganado. O que vês agora, ninguém jamais viu, só tu. Eu vou te entregar este mundo para tu governar, mas isso não é agora, primeiro tens que te preparar. Agora que tu já é homem, tu vais trabalhar e vais ficar com teu cabresto assim bem curtinho. Vais ter uma preparação para ver se tu tens merecer verdadeiramente. Tu vais passar oito dias comendo só macaxeira (mandioca) cozida e insossa, com água e mais nada, nem ver e nem ouvir mulher alguma.
O Mestre, no dia seguinte, se retirou para a mata com o propósito de cumprir as ordens da Rainha. Conta-se que no quarto dia ele foi tentado com várias visões com intenção de lhe amedrontar. Os paus na sua frente criavam vida, parecia que estavam todos rindo dele, caboclinhos surgiam de todos os lados, fazendo contato com os animais que chegavam bem próximo. Com sua espingarda dava tiros para o alto, pois os estampidos o confortavam naquela situação. (Até hoje, nos trabalhos feitos na Doutrina do Santo Daime, se usa soltar foguetes durante a sessão espiritual para que seja lembrada aquela passagem da vida do Mestre Irineu).
Outro fato interessante que se conta é que, certo dia, Antonio Costa, estava em casa preparando a mandioca insossa do amigo quando pensou em botar um pouquinho de sal, mas imediatamente mudou de idéia e quando, mais tarde, o Mestre voltou das matas disse ao companheiro que viu que o outro ia colocando sal na macaxeira mas resolveu não por. Antônio se espantou com o amigo:
- Mas rapaz, como é que tu fez pra saber? Então já sei que tu tá aprendendo.
No oitavo dia de iniciação nas matas, a Rainha voltou a aparecer para o Mestre e lhe entregou a laranja como símbolo do globo universal. Ele pediu que o fizesse um curador e ela respondeu:
- Já está feito e tudo está em tuas mãos.
Também o advertiu de que teria muito trabalho com aquela missão e que nada poderia tirar em proveito próprio. (Assim como hoje o Daime não pode ser comercializado, pois desta forma estaríamos em desobediência com as ordens da Rainha).
Na verdade, logo o Mestre entendeu que aquela senhora era a Virgem Mãe Santíssima, a Virgem da Conceição, e que tudo aquilo que ele havia ouvido e visto não eram suficientes para ele ser. Ele havia recebido sim aquela missão e a partir daí ele tinha que dar prova e se fazer ser.
Durante alguns anos, nosso Mestre percorreu caminhos espirituais difíceis entre a dúvida e a certeza, a verdade e a mentira, pois quem anda nesta estrada sabe que uma linha muito fina separa estes princípios, o que é certo do que é errado. Mas a Virgem Soberana continuou a aparecer muitas outras vezes para o Mestre lhe dando força, conforto e fé, e numa destas aparições foi revelado ao Mestre o nome da bebida.
O verbo "dar" originou a palavra "Daime". Em alguns hinos da Doutrina se encontram as expressões "dai-me amor", "dai-me fé", "dai-me cura", pois quem toma Daime deve estar pronto a receber as dádivas vindas de Deus, contidas nesta bebida sagrada.
Também recebeu da Virgem o título de Chefe Império Juramidam e os fundamentos do ritual do Santo Daime. A Mãe Divina o instruiu a cantar hinos que iria receber do Céu, que seriam o testamento de sua missão e estariam reunidos em um hinário ao qual ele chamou "O Cruzeiro". Mas o Mestre era um homem muito simples e humilde e não se achava capaz de cantar. Até o dia em que a Rainha da Floresta lhe disse:
- Olha, vou te dar uns hinos e tu vais deixar de assobiar pra aprender a cantar.
- Ah! Faça isso não minha Senhora, que eu não canto nada.
- Mas eu ensino! Afirmou ela.
E como o Mestre sempre contemplava a lua, Ela falou:
- Agora você vai cantar.
- Mas como? Insistiu.
- Abra a boca, não estou mandando?
O Mestre obedeceu e deslanchou a cantar "Lua Branca", seu primeiro hino, onde também recordaria a já citada miração.
Na década de 20, o Mestre e os irmãos Costa fundaram um centro chamado Círculo de Regeneração e Fé (CRF), na cidade de Brasiléia, no Acre. Reuniram-se naquele lugar algumas pessoas que, apesar de poucas, chegaram a fundar uma associação.
Mas para desgosto do Mestre, alguns desentendimentos com Antônio Costa e outros integrantes o fizeram tomar a decisão de ir embora, deixando aquele centro. Mudou-se para Sena Madureira e depois para Rio Branco, onde ingressou na Guarda Territorial (sendo aí que conheceu Germano Guilherme, amigo que o acompanhou por muitos anos). Manteve-se nesta corporação, onde chegou a cabo, até o começo dos anos 30, quando pediu baixa.
Mais tarde, como tinha feito muitos conhecidos, doaram a ele uma colônia na Vila Ivonete, bairro rural próximo a Rio Branco. Foi quando o Mestre deu início aos trabalhos públicos com o Daime, fazendo no dia 26 de maio de 1930, seu primeiro trabalho. Eram só três pessoas: o Mestre, Zé das Neves e outro que não se sabe o nome. Zé das Neves conta que trabalhou com ele 41 anos e 41 dias.
Em sua casa, que também servira de sede dos trabalhos espirituais, logo reuniu um pequeno grupo. Nele estavam Germano, Maria Marques, João Pereira, Daniel Pereira e Zé das Neves. Pouco mais tarde também se juntou a esse grupo Antonio Gomes. Todos estes são expoentes de nossa Doutrina.
Neste tempo nosso Mestre foi perseguido, chegando mesmo a ser chamado na delegacia, porém nunca sendo preso. Resolveu então adentrar um pouco mais na floresta e foi nesta época que recebeu uma doação por parte do ex-governador Guiomar Santos, que lhe arranjou uma colocação chamada Espalhado, com uma colônia, a Custódio de Freitas. Neste lugar fundou o Centro de Iluminação Cristã Luz Universal (CICLU), a igreja sede e levantou também um cruzeiro de 5m de altura todo em cimento armado.
No Alto Santo abrigou mais de quarenta famílias, que trabalhavam em sistema de mutirão, muito comum no Acre. Viviam do que plantavam, conseguindo assim sustentar sua comunidade.
Mestre Irineu era homem de grande carisma. Com sua calma e paciência atraía inúmeras pessoas a sua volta, que vinham atrás do curador, já popular em Rio Branco. Encontravam um patriarca de grande coração, pronto a servir aqueles que precisassem.
Ele mesmo se auto-denominava "árvore-sombra".
Com o tempo foi se tornando uma pessoa muito respeitada na região. Resolvia casos difíceis com amor e firmeza, pois a disciplina sempre foi uma bandeira muito importante dentro da Doutrina do Santo Daime.
O Mestre se tornou um grande conselheiro para aquele povo que o seguia e lhe pedia a benção.
Aos poucos a doutrina foi adquirindo traços mais característicos, o hinário do Mestre, "O Cruzeiro", ficando cada vez maior, recebendo hinos contando vivências espirituais e acontecimentos diários daquela gente. Outros companheiros também começaram a receber seus próprios hinos e iam até o Mestre confirmar seus ensinamentos. Dentre estes seguidores um em especial se destacou: Sebastião Mota de Melo.
Em pouco tempo caminhou muito dentro da doutrina, recebendo seu hinário de grande valor, começando logo a ser chamado de Padrinho Sebastião. Mas sobre este homem daremos destaque mais adiante. Agora volto ao Mestre.
Os anos se passaram e tudo cresceu com grande rapidez. A igreja lotada, vinha gente de todo canto. Mestre Irineu levava seu trabalho com grande alegria e satisfação, mas como ele mesmo dizia em seu hinário, já se achava fraco e cansado. E, no dia 6 de julho de 1971, nosso querido Mestre deixou seu corpo. E hoje, nas Campinas do Astral, governa esta Santa Doutrina e ainda sentimos seu amor e força tão necessários ao crescimento espiritual de seus afilhados. Tão grande foi a repercussão de sua morte em Rio Branco que o governador do estado decretou ponto facultativo em repartições públicas além de oferecer veículos para o transporte do povo para o velório e enterro. Uma multidão compareceu ao seu funeral, prestando suas últimas homenagens.
O Mestre deixava grandes saudades e um enorme sentimento de gratidão. Dali pra diante estava nas mãos de alguns a decisão das medidas a serem tomadas com relação ao comando da Doutrina etc. O então presidente da entidade era o Sr. Leôncio, junto com uma diretora. Havia também a viúva do Mestre, Dona Peregrina. O tempo foi que aos poucos acomodou as coisas no lugar. Todos tinham sua importância.

: retirei este texto do site Ceu do Gamarra MG

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Em seguimento do cristo...


(9,23,27)E dizia a todos: Quem quiser ser meu companheiro, renuncie a simesmo, carregue a sua cruz, dia por dia, e sigame. Pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se se perder a si mesmo e perecer? Porquanto,quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, desse tal se envergonhara também o filho do homem, quando vier na sua glória,na glóriado Paie dos santos anjos.Em verdade vos digo que há entre os presentesalguns que nao provarão a morte sem que veja,o reino de DEUS".

terça-feira, 29 de setembro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

DEUS EXISTE?


O texto a seguir tem como proposta motivar o leitor a se iniciar em um estudo que, se desenvolvido de modo satisfatório, deverá trazer revelações que poderão mudar profundamente, e de modo positivo (assim esperamos), sua visão da realidade. O que você faria se, por alguma razão, de repente passasse a ter certeza absoluta de que Deus é mesmo responsável por sua existência, estando Ele consciente de cada respiração? Certamente esta questão não se adequa a alguns, mas cada vez mais pessoas tendem a pensar que tal idéia não passa de mera possibilidade.Porém, a resposta à pergunta que intitula o presente texto é: sim. Os estudos dos metafísicos orientais e ocidentais, não deveriam nos deixar dúvidas; porém, nos deparamos com as tantas dificuldades características do período de decadência civilizacional pelo qual atualmente passamos. Sendo assim, muitos até se espantam quando é dito que o Ser Divino pode ser percebido, embora não possa ser conhecido (e muita confusão, inclusive, se faz entre estes dois pontos).Como nos situamos no ocidente, que é alicerçado no cristianismo, vamos nos voltar para o trabalho de um de seus maiores expoentes, no intuito de demonstrarmos uma das tantas soluções para o problema: São Tomás de Aquino. Antes, porém, nos entreguemos um pouco às palavras de Chesterton, uma das mentes mais brilhantes do século passado:"Assim como se pode considerar São Francisco o protótipo dos aspectos romanescos e emotivos da vida, assim Santo Tomás é o protótipo do seu aspecto racional, razão por que, em muitos aspectos, estes dois santos se completam. Um dos paradoxos da história é que cada geração é convertida pelo santo que se encontra mais em contradição com ela. E, assim como São Francisco se dirigia ao século XIX prosaico, assim Santo Tomás tem mensagem especial que dirige à nossa geração, um tanto inclinada a descrer no valor da razão".Pois bem, por apresentar certas ressalvas (as quais não nos cabe desenvolver aqui) em se analisar a questão sobre a existência de Deus aprioristicamente (como o fez Santo Anselmo em seu Argumento Ontológico), Tomás partiu para uma análise a posteriori, ou seja, a partir de Seus efeitos, os quais podem ser observados no mundo sensível (que compreende o que nossos sentidos captam), tendo por base a filosofia aristotélica e platônica. Surgiram então as Cinco Vias para se chegar racionalmente à existência de Deus. O assunto já foi tratado aqui no site, mas sua repercussão (e em 7 comentários apenas) parece nos indicar algumas dificuldades. Sendo assim, por sugestão de meu amigo Acid, resolvi investir na tentativa de torná-lo um pouco mais acessível, com uma linguagem simplificada que inclui a inserção de alguns exemplos, além de conclusões apresentadas num trabalho do Mário Ferreira dos Santos (talvez o maior filósofo já nascido em nosso país) devidamente referenciado após o texto, objetivo que espero ter atingido.Sem mais delongas, passemos ao estudo das vias para o conhecimento do Supremo.1ª Via: o movimentoPodemos dividir esta via em duas partes: A primeira nos faz perceber que todas as coisas se movimentam, e isto se dá porque são movidas por um motor. Imaginemos uma rede estufada após uma falta bem batida pelo melhor cobrador do seu time de futebol. A rede recebe o movimento da bola, que por sua vez recebe o movimento e a capacidade de balançar a rede, dos pés do jogador. Os pés são então os responsáveis pela execução de todos os movimentos da pequena série apresentada: pelo movimento da bola e em seguida da rede. Vemos ainda que a bola, por sua vez, atua no movimento da rede. Mas notemos que esta, como todos os anteriores, não possui a capacidade de se mover por si. Para isto, teria que ter a capacidade de ser, ao mesmo tempo, motor e móvel sob um mesmo aspecto, o que é absurdo (tomemos a bola como exemplo: ela teria que ser capaz de promover por si o seu movimento em direção à rede, e ao mesmo tempo não ser capaz, para poder receber este mesmo movimento a partir do repouso). Passemos então para a segunda parte. A rede foi movida pela bola, que recebeu seu movimento pelo pé, que se moveu pela vontade do jogador, e assim sucessivamente. Porém é necessário que esta série encontre um fim. Mas por qual razão? Sem este não haveria movimento, já que o de cada um dos membros da série depende de um anterior. Temos então que conceber, necessariamente, um motor imóvel. E o que possui tal natureza? Algo que tenha uma atividade que se estenda a todas as coisas que movem e são movidas, ao qual elas estejam subordinadas, e que seja ato puro (já que está imóvel, mas tem a capacidade de ser motor), o que inclui suas implicações, como a imutabilidade e a eternidade, que nos remete à perfeição plena: Deus.2ª Via: as causas eficientesO raciocínio a ser desenvolvido aqui é bastante parecido com o anterior, e o mesmo exemplo pode ser empregado. Partimos da série de causas "pés do jogador - bola - rede": o gol foi causado pelo movimento da bola, e este, por sua vez, é efeito do chute do jogador. Não é difícil percebermos que a rede não poderia balançar sozinha, assim como a bola não poderia ser a causa do seu movimento, e o mesmo com os pés e assim sucessivamente. Vemos-nos, então, diante da necessidade de uma causa eficiente primeira, sem a qual não poderia haver qualquer efeito, pois estaríamos nos deparando com infinitas causas sem um operador. Esta causa primeira teria que ser a sua própria atividade, e, portanto, não causada, estando todas as demais causas a ela subordinadas. Chegamos novamente a Deus.3ª Via: a contingênciaDe todas as coisas que podemos constatar no universo, nenhuma delas se abstém de um potencial prévio para a sua inexistência. Pense o leitor que ele jamais poderia ter existido. Do mesmo modo o computador diante dele, assim como o próprio planeta em que vive, o sol para o qual olha no ocaso, etc. Todas estas coisas, inclusive, um dia não existiram, e mais adiante deixarão de existir (nos limitemos aqui ao campo da matéria). São elas contingentes. Ora, sabendo que havia uma potência para a inexistência das mesmas, concluímos facilmente que não podem ter existido sempre. E o que havia antes que viessem a existir? Onde residiria este potencial para sua existência? Em um ser necessário, que tenha existido sempre, causa da existência de todos os demais seres, e causa do ser em todas as coisas porque ali se faz presente (onipresença). Quem será?4ª Via: os graus de perfeiçãoNesta via, São Tomás se refere especificamente às perfeições puras, ou seja, aquelas que não possuem limite ou imperfeição em seu conceito formal; e em meio a estas, as denominadas 'transcendentais', ou seja, que estão em todas as coisas. Como exemplo, temos a nobreza, a verdade e a bondade. Estas perfeições só podem partir de algo que as encerra em sua máxima perfeição (nas palavras de São Tomás: "o máximo em qualquer gênero é a causa de tudo o que naquele gênero existe, e assim, o fogo, que tem o máximo calor, é a causa do calor de todo o quente, segundo diz Aristóteles."), e que é causa destas, em diferentes níveis, nos seres contingentes: nosso Criador.5ª Via: a finalidade ou governo do mundoNesta última, São Tomás nos chama a atenção para as coisas que, mesmo desprovidas de conhecimento, atuam com finalidades específicas (observemos, por exemplo, a interação entre os astros, que promovem o equilíbrio no nosso sistema solar; os seres que servem de base para a cadeia alimentar, etc.). Mas ora, se não conhecem, não podem pensar em um fim e assim agir no sentido de alcançá-lo, senão pela presença de alguém que conheça e direcione o movimento. Este deve conhecer infinitamente, ser distinto do mundo, providente e imaterial, ou seja, é Deus. Conforme observamos, não só nos é possível comprovar racionalmente a existência do Ser Supremo - o que nos conduz a um esquema de realidade (a Verdade), hierárquico, que independe de nossos pensamentos e ações - como conhecer alguns de seus atributos. A partir deles podemos perceber, dentre outras coisas, que o Onipresente está muito além do que compreender nossas limitações, o que, ao contrário do que alguns possam vir a pensar, não anula o fato de termos alguém a quem prestar contas no final de nossa jornada. O desenvolvimento deste estudo tende ainda a nos chamar a atenção para a escolha mais importante de nossas vidas: se queremos servir apenas ao mundo (e nos entregarmos aos desejos, ambições, etc.), ou ao nosso Criador. A primeira opção tende a nos inserir em um círculo vicioso (conforme nos demonstra Boécio em sua magnífica obra "A Consolação da Filosofia"), enquanto a segunda, por mais que implique em uma boa dose de disciplina e resignação, nos brinda com um estado de êxtase na eternidade e, em alguns casos, ainda no decorrer da vida terrena, sendo incontestavelmente a mais recompensadora.Por SoliusReferência:Filosofia (Revista) nº 18. Ed. Escala Educacional, São Paulo, 2009;G. K. Chesterton: Santo Tomás de Aquino - Biografia.LTr, São Paulo, 2003;Mário Ferreira dos Santos: O Homem perante o Infinito. Logos, São Paulo, 1963;MONTFORT: Existência de Deus;Veritatis: Provas da existência de Deus
Acid é uma pessoa legal e escreve o Blog (Saindo da Matrix). "Não sou tão careta quanto pareço. Nem tão culto. Não acredite em nada do que eu escrever. Acredite em você mesmo e no seu coração."